terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Free fallin'

Mandei uma mensagem para uma garota com quem não falo há mais de um ano com uma dúvida profissional. Antiga colega de turma, bonita, inteligente – e muito religiosa. Recebi no mesmo dia uma resposta, de cinco parágrafos, com um texto caloroso e efusivo. Incluía uma brecha, discreta, para um possível jantar ou drink.

No passado já havia pensado a respeito, mas tenho minha meia dúzia de princípios e sabia que seria um risco terrível me envolver com alguém que tem muitas dúzias de princípios. Porém, a resposta recebida deixou-me intrigado. Seria uma flexibilização? Uma fraqueza? Ou apenas mais uma conhecida vítima do vazio pós-formatura?

Só há uma maneira de descobrir: caindo. Pode ser paranóia minha, ou blefe dela.

De qualquer maneira, para o bem ou mal, acabará em mágoa e fofoca. Mas tudo bem, tenho me preocupado menos com os fins e mais com os meios.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

What a glorious feeling


Eu acredito no poder da música de mostrar o futuro. Não estou falando de letras mediúnicas, mas na maneira em que, na medida em que surgem de surpresa, revelam o estado do espírito de uma pessoa que a cantarola – e a maneira que isso pode condicionar seus próximos passos. Não, não é a música que os determina, mas revela para onde está caminhando o inconsciente de alguém.

Posso dizer que tenho certa propriedade no assunto. Lembro que anos atrás cantei “DOA” do Foo Fighters no caminho entre o portão e a sala de aula na segunda fase de um vestibular – canção que se revelou bastante apropriada. Meus amigos sabem disso e, na calçada momentos antes da maior prova de nossas vidas, perguntaram se eu estava com alguma música na cabeça:

- Engraçado, vim cantarolando “Singin’ in the rain” até aqui.

- E isso quer dizer que você fará uma boa prova?

- Não sei. Só espero que eu não estupre ninguém até o final do dia.

Não choveu. Não estuprei ninguém. Preciso rever minhas crenças.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Whispered in the sound of silence


Eu lembro que eu tinha uns 12 ou 13 anos quando assisti a “A Primeira Noite de um Homem”. Eu estava bastante interessado em ver a história tão conhecida do Dustin Hoffman com a Mrs. Robbinson e sua filha – e não entendia o motivo de passarem tanto tempo filmando o Dustin boiando na piscina, olhando o aquário ou encarando o teto. Tanta coisa melhor pra fazer.

Bem, hoje eu gostaria de saber o motivo de passarem tanto tempo focando aquele triângulo amoroso. Tanta coisa melhor pra fazer.

Preciso rever este filme.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Retalhados

[De Setembro. Esqueci de colocar aqui.]

- Você acha que é possível se identificar com algo que nunca viveu?

- Sim, claro. Senão ninguém ligaria para ninguém.

- Não digo isso. Se identificar mesmo, como sentir que já viveu aquilo, mesmo sem ter vivido.

- Por que pergunta isso?

- Estava esperando o filme começar e fui até a livraria. Eu ainda tinha bastante tempo, então decidi ler alguma coisa e peguei um livro de quadrinhos...

- Mas você não lê quadrinhos.

- Sim, mas decidi ler este. Não gosto de começar um romance na livraria e não queria ler um conto ou coisa parecida.

- Certo.

- Mas sei que o livro me pegou. Eu tenho várias diferenças com o personagem principal, mas eu o compreendia de uma maneira que parecia que eu já tinha passado por aquilo.

- E que livro é esse?

- Retalhos.

- Do que se trata?

- Bem, aí que está: nada exatamente especial. A quintessência do filme indie, na verdade. Meio-oeste americano, neve, família religiosa, relações entre irmãos, emoções mal-resolvidas, primeiro amor e primeiro relacionamento sério, música boa.

- É bem indie mesmo. Dèja vu forte.

- Sim, mas eu não consegui apontar um filme em específico que tenha todos, ou mais que dois. Você consegue?

- Agora não especificamente, mas qualquer David Gordon Green antes dos filmes de comédia, talvez. Que música que tem?

- Se passa no começo da década de 90, grunge.

- Hmm. É de quando este livro?

- 2003, 2004, não tenho certeza.

- Como que acaba?

- Não sei.

- Não sabe?

- Não terminei.

- Bem, talvez você sinta que conheça a história porque ela é bem contada.

- Talvez. Não guardo muitas semelhanças com ele, mas de alguma maneira, sinto, ou pelo menos compreendo, o que ele está sentindo, os motivos de suas decisões.

- É só um livro. Você nem sabe o final.

- Não é preciso um final para entender alguém.

- Tudo bem, mas é um personagem. Por que você acha que o entende? Ele é como Holden ou Arturo?

- Não. Bem diferente deles, na verdade. Eu não me vejo como ele, enquanto com os outros dois eu agiria do mesmo modo, quase como um espelho quebrado. Ele não tem nada da energia, inconformismo ou raiva, se quiser dizer, desses dois. Ele é calmo, quase sumindo ao fundo. Preocupado com sua fé, que ele tem questionado, e com a garota que ele ama e a distância entre eles.

- Talvez você esteja crescendo. Arturo e Holden são quase infantis na maneira de ver certas coisas...

- Não são não!!

- Continuando, talvez seus interesses e preocupações estejam mudando. Amadurecimento.

- Por favor, sou um poço de maturidade. Todos sabem. Mas entendo o que você pretendia dizer até este ponto... Sabe, estou envelhecendo.

- Mais do que isso: você tem que fazer escolhas...

- Eu tenho que fazer escolhas.

- Você vai ler o final?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Você sabe que precisa rever sua vida amorosa se esteve pedindo conselhos para sua amiga crente em como chegar em uma guria Testemunha de Jeová.

Sou uma usina de ideias geniais.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Reminiscências rasas

Quando eu estava na sétima série meu colégio realizou uma cápsula do tempo com todos seus alunos e funcionários. Fui receber minha carta na semana passada.

Confesso: estava bastante empolgado para voltar lá e receber a minha. O primeiro impacto é ver que o colégio mudou completamente nestes anos. Os caminhos até o prédio, os toldos novos, portas trocadas, disposições novas de vários departamentos, salas novas, até a capela mudou de lugar. Mesmo o piso do pátio, para meu espanto, foi trocado do vinil vermelho para pedras azuis e cinzas! Nisto me lembraram que trocaram o piso ainda dois anos antes de eu sair de lá.

Talvez a memória de um colégio seja feita de um tempo mais distante que o real.

Entre as surpresas, além da enorme quantidade de gente que realmente foi, estão aquelas que mostram que nada mudou: continuam sem ligar o ar-condicionado no auditório lotado; o mestre de cerimônias/apresentador/cantor continua o mesmo, com as mesmas canções católicas – e a mesma jardineira; o coral e o grupo de teatro continuam daquele jeito; o evento atrasa quase uma hora e a cerimônia dura o dobro do que você previa.

Eu esperava algo como uma reunião com todos os estudantes antigos e colegas, em um clima de alegria mútua e, vá lá, comunhão com o próximo. Estive enganado. Não sei porquê cargas d’água esperava que pessoas que eram metidas ou intragáveis tivessem crescido, ou que os alunos tímidos ou anti-sociais se tornariam simpáticos, mas eu esperava que sim. Todos estão mais ou menos iguais – alguns com barba, como o meu caso. Foi uma manhã tão estranha. Talvez seja melhor deixar os tempos do colégio nos tempos do colégio.

Li minha carta. Fiquei absolutamente surpreso. E eu pensava que me lembrava do que tinha escrito.

Primeiro que vi que estava diante de um cara legal. Mas legal mesmo. Que se importava verdadeiramente com o que estava a seu redor. Que escrevia bem. Que colocava os amigos e a família à frente das coisas. Que lia. Que questionava. Que mostrava preocupação com o futuro. E esperto (tem um trecho em código! E eu lembro perfeitamente como decifrá-lo!).

Respostas para algumas questões feitas por mim, aos trezes, para mim, hoje:

- “O homem já pisou em marte?”
Não. E não sei de onde veio a impressão de que teria pisado.

- “Continuo indo muito ao cinema?”
Sim.

- “Eu dirijo bem?”
Sim!

- “Nós viajamos para a Itália?”
Não, mas fomos para a Holanda, que é bem mais legal (e Paris).

- “Nós fizemos estágio na MTV?”
Não, graças a Deus.

- “As pessoas estão dando mais atenção para as outras?”
Você continua fazendo sua parte.

-“Nós escrevemos?”
Sim, ainda que irregularmente – em vários sentidos disto.

Segundo porque é impressionante ver como certezas mudaram desde então. Casais que eu descrevi como felizes se separaram. Pessoas que eu não esperava que morressem, morreram. Nomes que eu listei como amigos, perdi contato. Entretanto, boa parte dos meus maiores amigos de hoje estão listados na carta. E somos ainda mais próximos agora. Tenho novas certezas.

Eu lembro bem que esperava que aos meus dezessete, dezoito, eu seria bastante diferente. Acreditava que as pessoas mudassem, que a personalidade se definia apenas lá pela metade da faculdade. O dia da carta sepultou de vez essa crença. Eu continuo muito próximo de quem eu era na sétima série, bem como meus antigos colegas, como pude constatar.

É mais fácil mudar paredes inteiras de um colégio enorme que quem você é.

Claro, os dias provocam alterações em cada um. Creio que eu era mais sábio, talvez mais esperançoso. Confesso que fiquei feliz ao ver o que fiz no tempo que passou. Pode não ter sido espetacular, mas foi da maneira que eu quis, por escolhas minhas. Não são muitos os que podem dizer tal.

Todos foram convidados a escrever mais uma carta, no mesmo dia. Agora é esperar até a cápsula nova ser aberta. Pena que a carta que fiz hoje não chega aos pés da que eu fiz aos treze.

Superar o passado é uma tarefa pra hoje.

domingo, 19 de setembro de 2010

Fechado para balanço

Então que estou às vésperas de momentos importantes da minha vida. Nenhuma novidade até aí. Pensei que teria mais tempo para me decidir, mas meu processo de tomada de decisões nunca funcionou com o fator tempo.

E as decisões que preciso tomar me entediam profundamente. Sim, meu futuro me entedia – ou seja, eu estou me considerando entediante. Ironicamente, isto é interessante, já que eu sempre fui um assunto de que eu gosto.

Tentando recuperar ou aprender alguma coisa, dei uma olhada nos textos antigos daqui. Não sem surpresa, descobri que a esmagadora maioria deles é sobre relações com garotas. E que, destes, todos são relatos de diferentes graus de fracassos.

Escrever (e ler) sobre fracassos é sempre melhor que sobre sucessos. Eles são mais divertidos e ensinam mais. Mas quais as lições dos meus? E o que eu faço do resto da minha vida?

Preciso fazer meu dever de casa. A começar: devo procurar estas respostas?