segunda-feira, 8 de julho de 2013

Ryan Adams já sabia

So, I am in the twilight of my youth
Not that I'm going to remember


E a letra tornou-se tão real quanto parte do passado mais rápido do que eu jamais poderia supor.

domingo, 19 de maio de 2013

Atualização

Muito aconteceu nos últimos meses - e mais ainda nos últimos dias. 

O motivo de silêncio por aqui eu pensei que soubesse: seria por, finalmente, eu ter deixado de ser a pessoa mais patética de minhas observações, não sendo cabível aqui embaraços que comprometam qualquer um além de mim mesmo. 

No entanto, não é nada disso. Eu simplesmente percebi que pensamentos importam. Que opiniões não brotam da terra. Conclusões são frutos de trabalho árduo. Idéias precisam ser calmamente nutridas. Histórias são especiais pelas pessoas presentes nelas.

E é preciso ter cautela e reserva para não correr o risco de banalizar nenhum dos anteriores.

Enfim, percebi que o que eu escrevo diz respeito, acima de tudo, a mim e para mim.

Vai na contramão de 90% das pessoas da sociedade atual, pode ser, mas não sinto necessidade de compartilhar ou exibir nada. Pelo contrário. Percebo que o pouco que penso, concluo, vivo, é precioso e não deve ser espalhado ao vento. 

Digo "precioso" não por conter grandes verdades - meus pensamentos são pífios, minhas conclusões contraditórias, as idéias equivocadas. Mas são todos frutos da minha história. Fazem parte de quem eu sou. Não sou arrogante a ponto de me intitular único, convenhamos, apenas não quero me espalhar por aí. Vamos deixar isso às cinzas.

(Não estou encerrando as atividades aqui ou em lugar nenhum. Apenas revendo pontos importantes.)

domingo, 30 de dezembro de 2012

Escolha difícil

É dia do show.

Você chega ao lugar tão falado por todos e imediatamente começa a olhar ao redor. Há bastante gente por todos os lados e você procura por um canto confortável para chamar de seu. A primeira escolha, feita às pressas, é boa, centrada, mas fica a impressão de ser longe demais do palco do evento. Troca-se por um local lateral, cômodo por ser perto do bar, mas por isso mesmo movimentado demais – e é fácil perceber um lugar vago ali, mais à esquerda. Passa-se ao lugar almejado, já tomado por outros apenas no ínterim de se chegar até lá. Pior, apesar de ser próximo da ação do palco, é barulhento demais. Então você muda novamente, para um local mais ao fundo, na lateral, com uma boa visão e ainda tranqüilo. Você tenta relaxar, mas não consegue deixar de pensar por um instante se a experiência não seria melhor mais à frente, ou mais à direita – sem mencionar a necessidade constante de proteger seu espaço de possíveis invasores.

Quem sabe escolher lugar em um show não seja tão diferente de casar-se com alguém.

Quero dizer apenas que não, por pura pregüiça não tenho saído para ver qualquer apresentação ultimamente.

domingo, 25 de novembro de 2012

O impossível

Consegui um emprego.

Segura essa, Jean Cocteau.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Tom antes de quebrar

Perto do final de "(500) dias com ela", o personagem principal, Tom Hansen, está no auge de sua fossa pelo seu amor não correspondido, seu trabalho sem saída e a decoração capenga de seu apartamento. Como qualquer filme sobre superação que se preze, Tom decide mudar sua vida ao som de uma música assobiável junto a uma edição veloz e acelerada. Ele altera sua decoração com uma parede "com sonhos" e planos, estuda, faz um novo currículo, larga seu vestuário usual para um terno e sai à procura de um emprego.

Lembro muito bem o quanto fiquei entusiasmado com este filme quando o vi pela primeira vez, seus bons diálogos e atuações em uma fotografia azul de verão, formando um mundo cheio de possibilidades, boa música e garotas bonitas que podem partir seu coração. Passeando pelos canais da tv dias atrás, revi o filme pela primeira vez, aos pedaços.

É terrível.

Tom quebra e desiste de basicamente tudo o que o define como pessoa, de seu penteado, roupas e profissão à sua paixão (mesmo que seja por uma garota mala) para encaixar-se em uma fôrma qualquer, em um escritório qualquer, apenas esperando o próximo desastre. Suas novas escolhas supostamente o fazem mais "maduro", "sábio" e "adulto", como se sua nova parede (de sonhos!) fosse menos capenga, o terno menos uniforme de uma classe e o novo trabalho menos sem saída - e, o que mais me incomoda, como se tudo o que ele vivia até então não fosse digno.

Ainda, o que nem "(500) dias..." e nem outros 500 filmes que usam a técnica da montagem pré-superação com música "pra cima" mostram corretamente são os momentos que acontecem antes da quebra, quando o personagem finalmente percebe sua situação e decide como mudar o seu paradigma. Não se trata de renegar o passado nem há garantias de sucesso após a quebra. Posso afirmar com propriedade que é um processo chato, longo e silencioso, sem tom nenhum além da agonia e da incerteza.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Fracassos exemplares

Miguel fracassa em ensinar calouros. Flávia fracassa em escrever um blog. Henrique fracassa em terminar o namoro. Marina fracassa em ser demitida. Bandini fracassa em conseguir um emprego.

Somos todos amigos. Qual destes fatos é de propósito?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Não vá.

- Cara, não vá.

Depois da terceira vez que escutei isto de três pessoas diferentes, decidi que precisava mesmo ir.

Após meses sem notícias, soube que a última garota por quem senti alguma coisa estaria em determinado bar em uma sexta-feira à noite. Existiram garotas depois, mas nenhuma me fazia tão calorosamente estúpido como ela.

Fiquei surpreso quando a vi. Seus cabelos negros, que sempre me pareceram brilhantes, estavam sebosos. Antes, possuía um estilo para suas roupas entre o inesperado e o discreto, agora ela estava vestida em uma combinação infeliz de bege-cinza. E seria possível que tivesse engordado? Nunca havia notado a dobra na cintura sobre a calça. Chamar seu nariz de exótico, como eu fazia, pareceu-me uma negação da realidade – e como saía tão bem em fotos?!

Ela estava feliz com seus amigos. Conversamos brevemente, sem lembrar o passado. Teríamos mudado tanto em tão pouco tempo? Talvez seja mais assustador pensar que não mudamos em nada.

Após o choque da realidade, não resta nem a saudade de um amor.